• Rio de Janeiro, 16/06/2026
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Deputado Estadual Luiz Paulo

Entre o sonho do hexa e os desafios do Rio de Janeiro

Deputado Luiz Paulo - PSD
Entre o sonho do hexa e os desafios do Rio de Janeiro

A Copa do Mundo, iniciada na última quinta-feira, renova nos brasileiros um sentimento especial de esperança. Independentemente das diferenças políticas, econômicas ou sociais, o futebol continua sendo um dos raros momentos capazes de unir o país em torno de um objetivo comum. Mais uma vez, vestimos a camisa amarela e torcemos para que a Seleção Brasileira conquiste o tão sonhado hexacampeonato mundial.

O futebol desperta emoções, cria memórias e fortalece nossa identidade nacional. Mas, ao mesmo tempo em que acompanhamos os jogos e sonhamos com mais uma conquista histórica, não podemos perder de vista os desafios reais que enfrentamos diariamente.

Nesse sentido, considero oportuno destacar alguns trechos da mensagem divulgada pelos bispos católicos do Estado do Rio de Janeiro, reunidos no Regional Leste 1 da CNBB, intitulada “Firmes na Busca da Paz e da Justiça”:

“No contexto do Estado do Rio de Janeiro, os desafios são particularmente urgentes. Nosso Estado vive uma grave crise institucional que nos entristece e envergonha. São desafios que pesam sobre a consciência dos eleitores e dos futuros governantes para a busca e a construção de uma realidade marcada pela paz e pelo bem de todos, especialmente dos mais fragilizados.”

“As crises morais, políticas e socioeconômicas, somadas à corrupção, ao favorecimento, à violência verbal e à disseminação de informações falsas, contribuem para o descrédito da política. O desânimo, a frustração e a falta de perspectiva podem conduzir à omissão, ao desperdício do voto ou à abstenção.”

“Nosso Estado necessita de projetos consistentes e de longo prazo voltados para o enfrentamento da violência e da ausência do poder público, a melhoria da educação e a prevenção de catástrofes climáticas, entre outras demandas que afetam diretamente a vida da população.”

A crise institucional afetou profundamente a situação fiscal do Estado. O Rio de Janeiro carrega uma dívida com a União superior a R$ 238 bilhões, o que limita investimentos e compromete a capacidade de ação do governo. Nesse cenário, a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), prevista para os próximos meses, representa uma medida importante para aliviar a pressão sobre as contas públicas.

O alongamento da dívida por 30 anos, com correção apenas pela inflação, sem incidência de juros, reduzirá significativamente o peso das parcelas anuais pagas à União, contribuindo para diminuir o déficit projetado para os anos de 2026 e 2027 e criando condições para um planejamento mais responsável dos gastos públicos.

É justo reconhecer que o governador em exercício, Ricardo Couto, vem adotando medidas voltadas para a reorganização da máquina pública e o fortalecimento das instituições estaduais. Em um momento de transição, sua atuação busca enfrentar problemas agravados ao longo dos últimos anos e criar condições para que o Estado recupere sua capacidade de planejamento e gestão.

Ao mesmo tempo, não podemos esquecer os problemas herdados de administrações anteriores. Os questionamentos envolvendo operações temerárias e inescrupulosas do Rioprevidência e da Cedae com o Banco Master e os sucessivos episódios envolvendo má gestão e até corrupção que marcaram áreas como saúde e educação demonstram a importância da fiscalização permanente e do compromisso com a boa gestão dos recursos públicos.

Também merece atenção o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, das ações relacionadas à Lei da Partilha do petróleo. Eventual alteração do entendimento atualmente vigente poderá produzir impactos expressivos sobre as receitas de royalties e participações especiais do Estado do Rio de Janeiro, agravando ainda mais o já delicado quadro fiscal.

A Copa do Mundo nos convida a sonhar. E sonhar é importante. Mas o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade não depende apenas das vitórias dentro de campo. Ele é construído diariamente por meio de instituições fortes, responsabilidade fiscal, educação de qualidade, segurança pública eficiente e respeito ao dinheiro do contribuinte.

Que a Seleção Brasileira nos dê a alegria do hexacampeonato. Mas que essa mesma união e determinação que demonstramos ao torcer pelo Brasil também estejam presentes na construção de um Rio de Janeiro mais justo, mais seguro, fiscalmente equilibrado e preparado para o futuro.



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