Aurílio Nascimento
O preço da vaidade
Nos últimos meses, a DECOM, Delegacia do Consumidor da Polícia Civil do Rio de Janeiro, vem desenvolvendo investigações, com base as denúncias que chegam, para fechar clínicas de estéticas, que oferecem tratamentos milagrosos, a preços baixos. Implantes de silicones nos seios, harmonização de glúteos, emagrecimento rápido, harmonização facial. As queixas levadas a DECOM é de que os resultados prometidos não surgiram, e mais, provocaram sérios danos físicos, havendo necessidade urgente de tratamentos caros para parar os efeitos do que foi feito, como também os reverter. Além dos danos à saúde, os danos psicológicos são imensos.
Clínicas sem autorização da autoridade de saúde, sem profissionais qualificados, proliferam na cidade. Usam produtos proibidos, as vezes vencidos, praticam procedimentos em ambientes não adequados, sem higiene, sem controle algum. Aqui entra a ganância.
As mulheres que buscam tais clínicas o fazem por desespero da vaidade. Bombardeadas pelas redes sociais, onde as chamadas influenciadoras exibem fotos onde mostram corpos perfeitos, a vaidade se sobrepõe a razão, e se inicia a corrida desesperada em busca do corpo perfeito. Seios grandes e rígidos, nada de estria, nada de celulite, nádegas volumosas, que chamem à atenção na rua ou na praia. O que importa se vai encher o rosto de botox, ficar com expressão de boneco, sem poder rir, pois os músculos do rosto estão presos sem poder contrair com um sorriso? A vaidade, um pecado capital fala mais alto. O importante é parar o tempo.
Quando olhamos para a história percebemos que tal comportamento não é recente. A humanidade sempre esteve à procura do elixir da juventude. Reis e rainhas, imperadores, contratavam alquimistas, para que eles descobrissem como ser jovem para sempre, eliminando os efeitos do tempo. Em 210 A.C, o imperador chinês, Qin Shi Huang, morreu envenenado ao consumir altos doses de mercúrio, indicado por um alquimista como a fórmula para obter a juventude eterna.
Talvez um dia a humanidade consiga um meio de retardar os efeitos do tempo nos seres humanos, mas até lá vaidade e ganância continuam andando juntas, e dando muito trabalho para a delegacia do consumidor.



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