• Rio de Janeiro, 12/09/2026
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Aurílio Nascimento

A triste história de João, o faz tudo.

Aurílio Nascimento é Policial Civil
A triste história de João, o faz tudo.

João, o faz tudo, nasceu em uma pequena cidade do interior do Nordeste. Sexto filho de uma grande família, João, assim como seus irmãos passaram pouco tempo na escola, e aprendeu muito pouco. Orgulhava-se de saber assinar seu nome em letra de forma. Inteligente, João aprendeu por conta própria a fazer de tudo um pouco. Consertos elétricos, em uma época que poucas residências possuíam energia elétrica. Era pedreiro, marceneiro, desentupia esgotos, capinava. 

Certo dia, João foi chamado por um casal de idosos que residiam com uma neta, para consertar parte do telhado. De forma primorosa João trabalhou por três dias, finalizou o trabalho, e seguiu a vida. 

Boa parte da casa dos idosos tinha as paredes em tijolo, sem emboço. O idoso retirava um tijolo da parede, aprofundava o fundo e ali escondia suas economias. Periodicamente trocava de lugar. Após o trabalho de João, o idoso foi verificar onde havia escondido seu pequeno tesouro, e não encontrou. Como cada tijolo onde escondia suas economias possuía uma marca secreta que só ele reconhecia, passou a procurar outros, e nada. 

Entrou em desespero, e concluiu que João o havia roubado. Foi a delegacia, que não época era chefiada por um sargento da PM, com efetivo de um cabo e dois soldados. João foi detido imediatamente, apenas com base na desconfiança do idoso, e levado para a delegacia, foi torturado terrivelmente para confessar o furto. Por três dias João negou, até que não mais aguentando, confessou e disse que já havia perdido tudo em jogo de baralho. 

Um mês depois, mais calmo, e como escondia suas economias trocando de esconderijo, o idoso encontrou o tijolo certo, e lá estava sua pequena fortuna. Inocentemente, voltou a delegacia, e disse ter se engando. João preso sem processo, foi solto. Naquele mesmo dia, João esperou a hora do jantar, quando os idosos, e sua neta às seis horas, sentavam a mesa, ligava o rádio para ouvir a Ave Maria, enquanto o sino da igreja, ali perto, badalava. João adentrou a residência com um machado na mão, e decapitou todos. Com o machado na mão, escorrendo sangue, João seguiu calmamente para a delegacia. Lá chegando, colocou o machado sobre a mesa do cabo, relatou o que havia feito, dirigiu-se até o corredor onde ficava a cela, e aguardou. 

A história de João comoveu a pequena cidade, os policias não admitiram o erro. Aos domingos, dezenas de pessoas iam até a delegacia, prestar apoio ao João, e levar mantimentos. 

Após seis anos preso em uma cela, sozinho, João morreu com tuberculose. Na parede da cela, escreveu: “Deus vai me perdoar pelo que fiz”. 




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