‘Estou sendo perseguido pelo PSOL do Rio’: deputado Yuri Moura afirma sofrer represália após aparecer em evento com Paes

O deputado estadual pelo PSOL Yuri Moura acusou a direção estadual do partido de perseguição e afirmou ter perdido 30% do seu tempo de televisão na disputa eleitoral deste ano. A declaração foi feita pelo parlamentar em um vídeo publicado nas redes sociais na noite desta quarta-feira (12).
“Estou sendo perseguido pelo PSOL do Rio de Janeiro. Pessoal, depois de ter sido condenado por Cláudio Castro, agora estou sendo condenado pelo meu próprio partido, a direção estadual do PSOL no Rio de Janeiro”, afirmou.
Segundo Yuri, a redução do tempo na TV teria ocorrido após sua participação em um evento do PSD em Paraíba do Sul, onde subiu ao palco ao lado de lideranças da legenda e abraçou Eduardo Paes, candidato do partido ao governo do estado — enquanto o próprio PSOL lançou William Siri para disputar o Palácio Guanabara.
“Eu sei que eles tiraram 30% do meu tempo de TV, não só na capital, na região metropolitana, mas até mesmo na minha cidade Petrópolis. Eu sei que o esquerdismo e a ala majoritária do partido querem me diminuir para que seus candidatos tenham mais chance de disputa na nossa chapa”, declarou.
No vídeo, o deputado afirmou que não pediu votos para nenhum candidato presente e que sua participação no evento teve como objetivo ampliar o apoio ao presidente Lula (PT) no interior do estado: “fiz uma fala em defesa de Luiz Inácio Lula da Silva, em defesa da soberania, da democracia, da valorização das cidades do interior. Não pedi voto para nenhum governador e sequer cometi infidelidade partidária”, reforçou Yuri.
O candidato comentou ainda que houve uma tentativa de retirada de seu fundo eleitoral, mas que, segundo ele, a medida que efetivamente avançou foi a redução do tempo de televisão.
Yuri comparou sua punição com a do assessor parlamentar do PSOL preso por suspeita de estupro de menor
No vídeo, o deputado Yuri Moura comparou sua situação com o caso de um assessor parlamentar do vereador Professor Túlio (PSOL) que foi preso sob suspeita de envolvimento no estupro coletivo de uma menor de idade. Yuri afirmou que o episódio não recebeu, segundo ele, a mesma rapidez na reação interna do partido.
“Os antipunitivistas que ignoraram, inclusive, porque não teve nenhuma nota ou posição do partido, o fato de que o assessor de um dos parlamentares do partido é pedófilo, está preso por estupro. Esse caso passou batido. O meu caso foi punido”, disse Yuri.
O PSOL e o vereador Professor Túlio afirmam que o assessor foi exonerado da Câmara de Niterói após o caso.
Deputado questiona se participação em ato com Lula — e candidatos do PSD apoiados por ele — causará represálias
Ao final, Yuri Moura questionou se a participação de integrantes do partido em atos pró-Lula poderia resultar em punições. A provocação mira justamente a composição do palanque de Lula no estado, que tem Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo governo e Pedro Paulo (PSD) e Benedita da Silva (PT) como candidatos ao Senado.
“Dia 22, Benedita da Silva e Luiz Inácio Lula da Silva estarão em Bangu. E, por óbvio, não é só o PSOL que estará naquele palanque. E aí, quem for defender a democracia também será punido? Fica a pergunta pro PSOL, ou pra quem acha que é dono dele”, questionou.
Rick Azevedo, que já havia criticado direção do PSOL por distribuição do fundo eleitoral, declara apoio a Yuri Moura
O vereador Rick Azevedo (PSOL), candidato a deputado federal pela legenda, também saiu em defesa de Yuri. Nos comentários da publicação, escreveu: “Receba meu apoio, amigo! Estou calejado dessa gente desonesta. Força!”

A manifestação ocorre depois dele ter criticado publicamente a direção do PSOL pela distribuição do fundo eleitoral em 2026. Em junho, o vereador afirmou que a direção partidária “fez suas escolhas” e que ele próprio não teria sido contemplado, recebendo menos recursos do que “candidaturas consideradas estratégicas”.
Rick se juntou a outros parlamentares do partido como Erika Hilton (PSOL-SP) que também criticaram os critérios adotados pela legenda, especialmente a suposta priorização de “candidaturas de pessoas brancas e cisgênero” na distribuição de verbas.
O que diz o PSOL
Em nota, o diretório estadual do partido afirmou que a redução do tempo de propaganda de Yuri foi uma “resposta direta” à aproximação do deputado com a direita fluminense. Confira a íntegra:
“O PSOL-RJ vem a público reafirmar os critérios políticos e programáticos que orientam sua atuação em todo o estado.
O PSOL integra a base de apoio à reeleição do presidente Lula por compreender o papel decisivo dessa disputa na consolidação de um país democrático e popular. Contudo, compor essa frente não significa se confundir com todas as forças que ali circulam, tampouco legitimar articulações com a direita tradicional.
A presença recente do deputado Yuri Moura no palanque de Júlio Canelinha, candidato a deputado federal pelo PSD e antigo aliado de Rodrigo Bacellar, ao lado de Eduardo Paes e Pedro Paulo, evidencia uma postura reincidente de aproximação com a direita fluminense e prejudica a eleição de Benedita da Silva. O PSD tem como candidato à presidência o latifundiário Ronaldo Caiado.
A trajetória de Canelinha, com passagens pelo governo Temer e pela gestão Cláudio Castro, é incompatível com a transformação social que defendemos. Desnecessário discorrer sobre Paes e Pedro Paulo.
Nossa tarefa histórica é derrotar a extrema direita e construir um Rio de Janeiro e um Brasil mais justos, soberanos e voltados para a classe trabalhadora. Por isso, o PSOL não faz acenos à direita em nenhuma região onde constrói suas bases, pois não se constrói um partido de esquerda no interior confraternizando com oligarquias locais, prática desrespeitosa com tantos militantes que fazem esse esforço sem abrir mão de princípios e posições.
A redução no tempo de propaganda eleitoral do parlamentar é uma resposta direta a essas condutas.
O PSOL vai, sim, subir no palanque de Lula. William Siri foi o único candidato, que no debate da Band, defendeu o voto no Presidente Lula. Estamos construindo sua campanha e temos como prioridade reeleger Lula presidente do Brasil, mas não estaremos abraçados a nenhuma figura da direita nesse espaço.
Entramos no processo eleitoral com altivez e projeto próprio: sustentamos a candidatura de William Siri ao Governo do Estado, a defesa histórica de eleger duas mulheres de esquerda ao Senado Federal, Mônica Benício e Benedita da Silva, e, prioritariamente, a reeleição do presidente Lula.
Seguimos focados no fortalecimento das bancadas estadual e federal e no apoio a candidaturas coerentes com nossas diretrizes. Com respeito à militância que constrói o partido no dia a dia, o PSOL reafirma seu lugar como uma esquerda consequente, firme e verdadeiramente ao lado do povo fluminense”.
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