Após polêmica, Casa Civil anula nomeação de servidor acusado de corrupção na PM
A passagem de Orson Welles da Cruz pela Casa Civil do Governo do Estado durou pouco menos de seis dias. No Diário Oficial desta quinta-feira (26), a pasta publicou a anulação da nomeação do servidor, que havia sido designado para o cargo de Ajudante I. A decisão ocorre em meio ao desgaste provocado pelo histórico criminal e administrativo do nomeado.
Welles é uma figura conhecida em investigações que miram a cúpula e a logística da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Sua ascensão ao cargo de confiança na Casa Civil gerou questionamentos internos e pressão externa devido à gravidade das acusações que pesam contra ele.
Venda de vagas e improbidade
Em 2018, Orson Welles tornou-se alvo de uma ação civil pública por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público do Rio (MPRJ). Segundo as investigações, ele seria o operador de um esquema de corrupção que negociava vagas em projetos estratégicos e de alta visibilidade da corporação, como a Operação Lei Seca e o Segurança Presente.
O esquema consistia, basicamente, no “aluguel” de postos de trabalho gratificados para policiais que desejavam atuar nessas frentes, mediante pagamento de propina.
Histórico na “Máfia da Saúde”
O envolvimento de Welles com irregularidades, no entanto, é mais antigo. Em 2015, seu nome surgiu nos autos da investigação que desmantelou a chamada “Máfia da Saúde” da Polícia Militar.
Na ocasião, o Ministério Público e a Polícia Civil identificaram um desvio superior a R$ 14 milhões dos fundos destinados à assistência médica dos agentes. O grupo criminoso atuava por meio do direcionamento de contratos fraudulentos e superfaturamento de insumos hospitalares.
A Casa Civil não detalhou se a anulação da nomeação ocorreu por uma falha no processo de checagem de antecedentes ou se foi uma decisão política após a repercussão negativa.



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