Do poder ao abandono: onde estão os aliados de Claudio Castro?
Artigo escrito pelo Professor Doutor Victor Travancas
Há um fenômeno curioso — e revelador — acontecendo no Rio de Janeiro: *ninguém defende o legado do ex-governador Cláudio Castro.*
Ninguém.
Nem uma nota tímida. Nem um artigo constrangido. Nem sequer aquele velho vídeo protocolar de solidariedade política, tão comum quando um grupo ainda tenta preservar o que resta de sua narrativa. O silêncio, nesse caso, não é apenas ausência de som — é confissão.
*Depois que denunciei a existência de 14 mil cargos comissionados, consumindo a cifra indecente de R$ 1 bilhão por ano*, o que se viu não foi indignação dos beneficiários, nem defesa institucional. Foi pânico silencioso. E agora, com o atual governador, o desembargador Ricardo Couto, iniciando demissões em massa, o que antes era estrutura política revela-se o que sempre foi: uma engrenagem pesada, cara e, em muitos casos, absolutamente inútil.
A pergunta é inevitável: onde estão?
Onde estão os secretários milionários do governo Cláudio Castro, que antes desfilavam poder e influência? Onde estão os técnicos “indispensáveis” que justificavam nomeações em série? Onde estão aqueles que, até ontem, defendiam com fervor quase religioso a “eficiência” de uma máquina pública inchada?
Sumiram.
E mais curioso ainda: onde está o povo dos cargos comissionados? Aquela multidão digital que lotava eventos, inflava agendas e transformava redes sociais em vitrines artificiais de popularidade? Os mesmos perfis que enchiam comentários com elogios automáticos, hoje desapareceram com a mesma velocidade com que foram nomeados.
Talvez porque nunca foram apoio político de verdade. Eram folha de pagamento.
O Palácio Guanabara, que alertei ter se transformado em uma espécie de quartel-general de interesses pouco republicanos, agora passa por uma espécie de “desocupação moral”. E como em toda retirada desorganizada, ninguém quer assumir que esteve lá dentro.
O padrão se repete: quando o poder evapora, a lealdade institucional revela sua verdadeira natureza — contratual, não moral.
Cláudio Castro não está sendo atacado. Está sendo ignorado. E, na política, o esquecimento é uma forma ainda mais cruel de julgamento. Porque o ataque pressupõe relevância. O silêncio, não.
No fim, talvez este seja o legado mais fiel de seu governo: uma estrutura tão artificial que, ao primeiro sinal de mudança, não deixou sequer defensores para contar sua versão da história.
Nem mesmo entre aqueles que mais lucraram com ela.
*_Victor Travancas é Advogado. Mestre e Doutor em Direito Constitucional_



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