Fim do pagamento em dinheiro nos ônibus do Rio gera debate na Câmara Municipal
A decisão da Prefeitura do Rio de retirar o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais voltou a ser tema de debate na Câmara de Vereadores. Parlamentares discutiram, nesta terça-feira (19), os impactos da medida para passageiros que dependem do pagamento em espécie e cobraram esclarecimentos sobre a implementação definitiva do sistema Jaé como principal forma de acesso ao transporte público da cidade.
Durante o encontro, vereadores demonstraram preocupação com possíveis dificuldades enfrentadas por idosos, trabalhadores informais, turistas e pessoas sem acesso facilitado a meios digitais ou contas bancárias. Também foram levantados questionamentos sobre inclusão digital, segurança e o funcionamento do sistema em regiões com pouca cobertura de internet.
Representantes da Prefeitura defenderam a medida afirmando que a retirada gradual do dinheiro em circulação nos ônibus busca aumentar a segurança de passageiros e rodoviários, além de reduzir assaltos e acelerar o embarque. O município argumenta ainda que o novo modelo acompanha uma tendência já adotada em outras capitais brasileiras e não é novidade no Rio.
“O BRT e o VLT já surgiram sem o pagamento embarcado”, esclareceu o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes.
O vereador Marcelo Diniz (PSD) questionou a dificuldade de moradores de regiões sem estações de BRT ou VLT para recarregar os cartões Jaé. Em resposta, o secretário municipal informou que a Prefeitura pretende ampliar em mil os pontos de atendimento até o fim do mês.
Durante o debate, vereadores sugeriram a instalação de recargas em lotéricas, farmácias, Correios e clínicas da família para facilitar o acesso da população de baixa renda.
O sistema Jaé vem sendo implantado como plataforma oficial de bilhetagem digital da cidade e deve substituir progressivamente outros modelos de pagamento no transporte municipal. A mudança inclui integração por aplicativo, cartões e QR Code.
O presidente da Câmara, vereador Carlo Caiado (PSD), afirmou que o debate é importante para aperfeiçoar o modelo implantado pela Prefeitura e lembrou que, após discussões em audiência pública, o município ampliou os pontos de venda para bancas de jornal.
“Isso é muito positivo, porque a população precisa de mais facilidade no acesso ao sistema de transporte público. A cobrança por meio digital permite mais transparência e controle sobre os recursos que entram no sistema de transporte”, declarou Caiado.
Inclusão digital e impacto para idosos entram no debate
Durante a audiência, o vereador Alexandre Poubel (PL) questionou se a Prefeitura realizou estudos para minimizar os efeitos do fim do pagamento em dinheiro para idosos e pessoas com baixo letramento digital.
De acordo com Jorge Arraes, o município realizou estudos nos últimos cinco meses sobre os efeitos da mudança. O secretário afirmou que apenas 8% das passagens ainda são pagas em dinheiro, o que reduziria os impactos da medida. Ele também destacou que idosos já utilizam o sistema de gratuidade por meio do cartão ou documento de identidade.
Segundo o parlamentar, é necessário garantir mecanismos de apoio para evitar que parte da população fique excluída do sistema de transporte.
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