Aurílio Nascimento
MCPOZE chega a prisão.
Quando Marlon Brendo Coelho Couto da Silva, que se identifica como MC Poze do Rodo, chegou a prisão, em Benfica, parecia impactado, olhava para os lados, mostrando que não entendia o que estava acontecendo. Mesmo na viatura de transporte, um pequeno ônibus com capacidade para vinte e cinco pessoas, ovacionado e insistentemente cumprimentado pelos demais presos, que riam, o abraçava, Marlon Brendo, mostrava-se assustado.
O protocolo para ingressar no sistema consiste em enfileirar lado a lado os prisioneiros em frente a uma mesa, onde um policial penal, faz a conferência de todos os documentos. Minutos antes todos passaram por um exame médico, respondendo às perguntas: você foi agredido? Tem algum machucado recente? Marlon Brrendo, o Mc Poze olhou para o médico sem responder, sendo necessário a repetição das perguntas. A falta de respostas mostrava que o prisioneiro estava em choque, não entendia e nem acreditava que estava ali.
Na entrevista de conferência de dados o policial explica como vai ocorrer. Ele pega a documenta ção do prisioneiro, e fala alto o primeiro nome. Em seguida o preso deve completar seu nome em alto som, sua data de nascimento, nome da mãe e do pai se houver, seu crime, e por fim se pertence a alguma facção criminosa.
Quando chegou a vez de Marlon Brendo, ele olhou para o agente, estático, olhava para os lados. O agente levantou-se da mesa, foi até o ele, e fez as perguntas. Poze em estado de choque olhou para os demais prisioneiros como se pedisse ajudar para lembrar o nome da mãe, sua data de nascimento, o motivo da prisão, e se pertencia a alguma facção criminosa. Foram longos minutos, para as respostas básicas, porém a última, se pertencia a alguma facção, ficou mudo. O preso ao seu lado, mesmo correndo o risco de ser repreendido pelo agente, o cutucou: diz logo, CV. Como se tivesse engasgado, com a voz baixa e tremula, respondeu ao agente: É né, CV.
Ao fim, os policiais que aguardavam o final dos procedimentos, iria comentar: como um sujeito deste tem a fama que tem? 16 milhões de seguidores nas redes sociais, escrevendo e “cantando” sem voz e harmonia, uma baboseira destas, clara apologia ao crime:
Oi, na VK os menor te acerta
Só soldado bom de guerra
Que te mira e não te erra
Só AKzão na favela
Com vários pentão reserva
Aonde entrar, cês leva
É bala nos três cu, é bala nos três cu
De 62 é só papum e os alemão aqui nem tenta
De Glock e de radin, fumando um baseadin
Destrava o G3zão que se piar, nós quebra
Destrava o G3zão que se piar, nós quebra
Respeita o CV
Que só tem bandido brabo, só menor de guerra
Que bota pra fuder
Nós é terror dos Terceiro, ADA e dos meleca.
Fala que a tropa é Comando Vermelho
Se piar aqui na VK, vocês vai ver
Só soldado preparado, os menor descontrolado
Se os cana brotar, a bala vai comer
Fala que a tropa é Comando Vermelho
Se piar aqui na VK, vocês vai ver
Só soldado preparado, os menor descontrolado
Se os cana brotar, a bala vai comer (DJ Gdopi)
Se os cana brotar, a bala vai comer
Esta semana Poze foi solto novamente pela justiça, certamente ganhará novos seguidores. Fará um grande baile nas comunidades que frequenta, onde criminosos com armas de grande calibre estrão presentes, exibindo seus arsenais. Enquanto isto o governo anuncia depois de décadas no poder, que fará um grande plano para acabar com a criminalidade. Esqueceu de inserir no plano um artigo para punir o assassinato de língua português, presente nas “letras” do Mc Poze e tantos outros.



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