Deputado Estadual Luiz Paulo
Da sonegação bilionária ao rombo previdenciário: Refit e Master, dois símbolos de uma mesma crise.
Na última terça-feira, 26 de maio de 2026, o Rio de Janeiro amanheceu com mais uma providencial operação da Polícia Federal, desta vez motivada pelos graves fatos envolvendo o Rioprevidência, o Banco Master e seu conglomerado, liderado por Daniel Vorcaro. Esses fatos vinham ocorrendo no Estado desde 2023.
A operação ocorreu menos de quinze dias após outra ação da Polícia Federal, que teve como objetivo desmantelar o esquema de corrupção relacionado ao Grupo Refit, de Ricardo Magro, que operava no Estado há duas décadas com livre trânsito nas estruturas de poder.
Ambas as operações de busca e apreensão tiveram diversos alvos. Um deles, porém, era comum: o ex-governador Cláudio Castro, que havia renunciado ao mandato com a intenção de disputar uma vaga no Senado, apesar de estar inelegível em razão de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o condenou por abuso de poder político e econômico em relação aos escândalos das eleições de 2022 envolvendo o CEPERJ e a UERJ.
Esses episódios aprofundam a grave crise política e institucional que o Estado atravessa. Ao mesmo tempo, trazem a esperança de que o império da corrupção institucionalizada no Rio de Janeiro esteja começando a ruir.
No que se refere ao escândalo das aplicações do Rioprevidência no Banco Master, as operações da Polícia Federal revelaram que o montante aplicado de forma indevida era ainda maior do que se imaginava. Nada menos que R$ 3 bilhões dos recursos que deveriam ser utilizados para o pagamento de 230 mil aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro foram direcionados a esse esquema de corrupção.
E o pior: não foi por falta de aviso.
Desde 2024, muito antes de o Banco Master se tornar protagonista de um escândalo de dimensão nacional, venho alertando para esses riscos. Em 1º de outubro de 2024, logo que tomei conhecimento das primeiras aplicações suspeitas, apresentei denúncia formal ao Tribunal de Contas do Estado (Ofício nº 59).
Para minha indignação, não apenas o Governo do Estado nada fez para recuperar os recursos já investidos, como também permitiu que o Rioprevidência realizasse novas aplicações, elevando o total da operação para cerca de R$ 970 milhões em meados de 2025.
À época, solicitei a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir o tema. Representantes do Rioprevidência compareceram e, de forma arrogante e prepotente, garantiram o sucesso da operação realizada com o Banco Master. Cheguei a ouvir de um diretor da autarquia que ele era especialista em investimentos e que sabia exatamente o que estava fazendo.
Naturalmente, não fiquei satisfeito. E segui minha luta contra essas aplicações absurdas.
Mas a situação só piorava. Tomei conhecimento de que, além do Rioprevidência, a CEDAE também estava realizando aplicações temerárias no Banco Master, no montante de R$ 218 milhões. Diante disso, em 10 de abril de 2025, por meio do Ofício nº 29, apresentei nova denúncia ao Tribunal de Contas do Estado, solicitando a verificação dos potenciais riscos relacionados à política de investimentos da companhia.
E fui além: em 23 de outubro de 2025, por meio do Ofício nº 100/25, apresentei representação ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro em razão de ações que violavam os princípios da segurança, da prudência e da boa gestão dos recursos públicos, promovidas pelo Rioprevidência e pela CEDAE em seus investimentos no Banco Master e em seu conglomerado.
Mas não foi apenas por meio dessas aplicações indevidas que o Banco Master e seu conglomerado lesaram a população do Rio de Janeiro. Outra forma nefasta de obtenção de ganhos indevidos ocorreu por meio do cartão consignado Credcesta. Além de praticar juros abusivos, a instituição é suspeita de induzir servidores ativos, aposentados e pensionistas à contratação de operações por telefone e redes sociais mediante informações enganosas, levando milhares de pessoas a uma situação de endividamento da qual muitas jamais conseguiram sair.
Diante desse cenário, apresentei dois projetos de lei. O primeiro, de nº 6.724/25, tinha como objetivo o cancelamento do convênio entre o Estado e o Credcesta, bem como o fim dos repasses financeiros à instituição. O segundo, de nº 7.726/26, propunha a suspensão dos descontos em folha de pagamento dos servidores decorrentes de empréstimos consignados e de outros produtos vinculados ao Credcesta ou ao Banco Master.
Tanto a operação relacionada ao Banco Master quanto a operação voltada aos esquemas de corrupção envolvendo a Refit demonstram que o Estado estava capturado por interesses privados e escusos.
Nesse sentido, o governador em exercício, Ricardo Couto, acerta ao demonstrar interesse em desapropriar a refinaria Refit e utilizar os créditos decorrentes dessa desapropriação em favor do Estado, abatendo parte da dívida ativa da empresa, que hoje alcança cerca de R$ 14 bilhões.
Outro fato positivo ocorreu em 29 de maio de 2026, quando, após duas décadas marcadas por acusações de sonegação fiscal e adulteração de combustíveis, a empresa teve seu CNPJ desativado pela Receita Federal. Como consequência, a Refit ficou impossibilitada de manter sua inscrição estadual junto à Secretaria de Estado de Fazenda.
O Estado precisa ser passado a limpo. E é exatamente esse processo que o atual governo interino conduz ao tomar medidas que visam desmontar estruturas que comprometiam o funcionamento transparente da administração pública, de modo a preparar o terreno para que o futuro governador eleito possa administrar o Rio de Janeiro com planejamento, responsabilidade e transparência.
Muita coisa ainda virá à tona.
O nosso papel, no parlamento estadual, é justamente exercer o controle externo da administração pública: fiscalizar, denunciar irregularidades e defender o interesse coletivo. É isso que venho fazendo ao longo de todos os meus mandatos. Sempre em defesa da população fluminense, dos servidores públicos e da correta aplicação dos recursos do Estado.



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