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Auditorias do governo do estado apontam relações empresariais entre Douglas Ruas e grupo de Altineu Côrtes em contratos firmados durante a gestão Castro; caso vai à PGR

temporealrj.com
Auditorias do governo do estado apontam relações empresariais entre Douglas Ruas e grupo de Altineu Côrtes em contratos firmados durante a gestão Castro; caso vai à PGR

altineu douglas

As auditorias do governo do estado do Rio em contratos que somam R$ 2,6 bilhões identificaram relações empresariais entre Douglas Ruas, candidato ao governo pelo PL, e o grupo ligado ao deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do partido, em contratos da Secretaria das Cidades — na qual Ruas foi secretário de setembro de 2023 a março deste ano — durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro.


Neste período, de acordo com a auditoria da Controladoria Geral do Estado (CGE), evidenciou-se o que os auditores chamaram de “circuito de relações interligadas” entre as famílias Ruas e Côrtes.


O caso foi encaminhado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) à Procuradoria-Geral da República (PGR) para eventual investigação nas esferas cível e criminal.


Contratos firmados pela Secretaria das Cidades


Um dos pontos analisados pela CGE envolve a Mineração Santa Edwiges, que tem entre seus sócios Altineu Côrtes Paesler Coutinho, filho do deputado federal. A empresa forneceu massa asfáltica para contratos da Secretaria das Cidades destinados ao recapeamento de vias na Região Metropolitana. Parte do material foi utilizada em pelo menos cinco etapas de obras em São Gonçalo, município administrado por Capitão Nelson, pai de Douglas Ruas. Os serviços citados no levantamento somaram R$ 4,9 milhões.


Relação entre empresas


A auditoria também encontrou uma ligação societária envolvendo duas empresas: a Saur Construção, Terraplanagem e Locação Ltda., da qual Ruas detém 90% do capital social, e a Normandia Empreendimentos e Participações, vinculada ao grupo empresarial da família Côrtes.


De acordo com o relatório, as duas empresas passaram a movimentar, principalmente a partir de 2023, “ativos imobiliários de alto valor e direitos creditórios, por meio de operações em consórcio ou copropriedade patrimonial”. O período coincide com a chegada de Ruas ao comando da Secretaria das Cidades.


Documentos analisados pelos auditores também registram que a Saur acumulou R$ 19,6 milhões em lucro líquido até novembro de 2025. Desse total, R$ 15,9 milhões foram destinados a Ruas sob a rubrica de dividendos. O montante é mais de 12 vezes superior aos R$ 1,2 milhão de patrimônio que ele havia declarado à Justiça Eleitoral em 2022.


O relatório ressalta ainda que as relações empresariais privadas e os contratos públicos ocorreram no mesmo período, embora sejam apresentados como negócios distintos. Outro ponto destacado foi a concentração dos investimentos da Secretaria das Cidades em São Gonçalo: em 2025, 55% dos recursos aplicados pela pasta até então haviam sido destinados ao município.


Aditivo de R$ 45 milhões


Também são alvos da auditoria contratos de consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia, que somam R$ 702 milhões. Um dos negócios foi assinado em outubro de 2025 por R$ 99,7 milhões.


A obra começou em 24 de novembro e, 17 dias depois, em 11 de dezembro, a Secid formalizou um aditivo de R$ 45,3 milhões, o que elevou o valor para R$ 144,9 milhões, uma alta de 45,4%.


O percentual chamou a atenção dos auditores porque ultrapassa o limite de 25% previsto na Lei de Licitações para acréscimos em obras e serviços de engenharia. O caso também integra o conjunto de informações encaminhadas ao Ministério Público.


O que dizem os envolvidos


Altineu Côrtes negou as acusações e afirmou que as empresas mencionadas não tiveram vínculo com o poder público e que nenhum ato ilícito foi praticado. O deputado também disse que denúncias desse tipo surgem, segundo ele, em períodos eleitorais para prejudicá-lo.


Já a assessoria de Douglas Ruas afirmou que o próprio relatório da CGE e do GSI registra não haver “caracterização inequívoca de irregularidade material” e recomenda o aprofundamento das análises. De acordo com a assessoria, Ruas defende a apuração de todos os procedimentos, com a participação dos envolvidos e uma conclusão técnica, e negou que ele tenha cometido irregularidades.


Com informações da colunista Vera Araújo, do jornal “O Globo”. 


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