Comitê clandestino: candidato a reeleição, deputado Ricardo Abrão abastecia esquema de compra de votos para eleger primo em Nilópolis, diz PF

A Polícia Federal aponta que o deputado federal Ricardo Abrão (PSDB) teria montado um “comitê clandestino” de campanha para viabilizar a compra de votos para o primo Abrãozinho, atual prefeito de Nilópolis, na Baixada Fluminense, nas eleições de 2024 — período em que o mesmo foi eleito.
Segundo a PF, o espaço, conhecido como “QG”, era usado para movimentar o dinheiro do esquema. A investigação aponta que Ricardo Abrão fazia pessoalmente a entrega dos valores, que também seriam repassados a cabos eleitorais e eleitores.
De acordo com os investigadores, o deputado, que tenta a reeleição em 2026, seria o responsável por abastecer financeiramente o esquema.
“Ricardo Abrão não figura como mero beneficiário, mas como o provedor de liquidez e suporte político indispensável para a manutenção do ‘comitê clandestino'”, aponta a PF.
Filho de Farid Abrão David, que foi prefeito da cidade de Nilópolis por três vezes, e sobrinho de Anísio Abraão David, ligado ao jogo do bicho, o deputado foi alvo de busca e apreensão da PF em 03 de setembro, decretada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
‘QG’ usado pelo político
Nas investigações iniciadas pela Delegacia de Defesa Institucional (Delinst), da PF no Rio, um imóvel com a placa de “vende-se” em Nilópolis era o chamado pelo grupo de “QG” usado pelo político.
A investigação que levou a PF até Ricardo Abrão começou após a prisão de 24 pessoas, em 2024. A partir daí, o caso passou a ser acompanhado também pela Cinq, Coordenadoria de Inquéritos da PF responsável por apurações envolvendo pessoas com foro no STF.
Durante uma vigilância de 6h na região, os investigadores perceberam uma movimentação considerada suspeita em uma casa que não tinha qualquer identificação de comitê político e também não aparentava ter relação com familiares. O “entra e sai” chamou a atenção da equipe.
Na abordagem de pessoas que deixavam o imóvel, pelo menos três carregavam mochilas e tentaram escondê-las dos policiais. Dentro delas, a PF encontrou R$ 5,5 mil, R$ 11 mil e R$ 23,2 mil, todos em dinheiro vivo.
Dentro da casa, os investigadores localizaram materiais de campanha de Abrãozinho, além de cadernos com listas de votantes e anotações sobre pagamentos. Nos celulares dos presos, a PF também encontrou um grupo de mensagens chamado “QG”. Um dos números vinculados ao grupo estava associado a uma empresa da qual Ricardo Abrão é sócio.
Também foram encontrados na casa caderno com a lista de votantes e cadernos com anotações de pagamentos.
TRE-RJ adia decisão sobre candidatura
Na tarde desta terça-feira (22), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) adiou novamente a decisão sobre o registro de candidatura de Ricardo Abrão. Por unanimidade, a Corte decidiu converter o julgamento em diligência — ou seja, determinar a inclusão de novos documentos e informações no processo antes de decidir se o registro será deferido ou não.
O julgamento deve ser retomado na próxima terça-feira (29).
O que diz o deputado
A assessoria do deputado Ricardo Abrão enviou ao portal “g1” uma nota sobre o caso.
“O deputado nega veementemente qualquer participação, bem como repudia as acusações infundadas. Esclarece que, ao contrário da narrativa, o local era o comitê oficial de campanha, conforme comprova o CNPJ do candidato e o registro no TRE. Informa ainda que sequer foi candidato neste pleito eleitoral.
Afirma que vê com muita estranheza que, às vésperas de uma eleição, apareçam fatos como estes com objetivos de exploração política.
O parlamentar reafirma seu absoluto compromisso com a legalidade e a verdade, e segue à disposição das instâncias competentes para o esclarecimento de quaisquer fatos”.
Com informações do portal “g1”.
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