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Canella movimentou R$ 1,4 milhão sem origem esclarecida, com repasses a familiares, aliados políticos e empresas, diz PF

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Canella movimentou R$ 1,4 milhão sem origem esclarecida, com repasses a familiares, aliados políticos e empresas, diz PF

marcio canella

A Polícia Federal identificou R$ 1,4 milhão em transferências nas contas do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) sem que fosse possível esclarecer a origem inicial dos recursos. Preso nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, o político recebeu os valores por meio de 21 operações bancárias feitas entre maio de 2025 e abril de 2026 pela Brumar Empreendimentos e Participações, empresa da qual é sócio.


O banco responsável por comunicar as transações suspeitas não conseguiu rastrear a procedência original do dinheiro.


Prisão preventiva


De acordo com a representação encaminhada pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF), Canella como articulador de uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita. As suspeitas levaram o ministro Alexandre de Moraes a decretar a prisão preventiva do ex-prefeito de Belford Roxo, eleito deputado estadual neste ano com a segunda maior votação do Rio.


Ainda segundo a representação, Canella recebeu aproximadamente R$ 2.594.294,49 em créditos bancários no período analisado. Desse total, R$ 1.402.294,90 tiveram origem na Brumar, sociedade dividida em partes iguais entre o ex-prefeito e o empresário Bruno Viana de Souza. A PF afirma que os valores chegaram à conta do político após passarem por movimentações da empresa em outra instituição financeira, o que dificultou a identificação de sua procedência original.


Para os investigadores, esse padrão constitui indício de possível lavagem de dinheiro, já que a circulação de recursos entre contas e instituições pode dificultar o rastreamento dos valores.


Repasses a familiares, aliados políticos e outras empresas


A investigação da PF também identificou transferências posteriores a familiares, integrantes do círculo político de Canella e empresas ligadas ao próprio grupo. Entre os destinatários mencionados estão Mariana Malta Monteiro da Silva, sucessora de Canella na prefeitura de Belford Roxo, que recebeu R$ 50 mil; Patrícia Stampini de Oliveira, mulher do ex-prefeito, com R$ 15 mil; e Maria José Correia da Silva, mãe do político, com R$ 5 mil.


A PF registrou ainda pagamentos de R$ 100 mil à MCO Participações e de outros R$ 100 mil à G.A.D.U. Automóveis. Os investigadores consideram que a circulação de dinheiro entre pessoas físicas e jurídicas relacionadas pode representar um mecanismo de dispersão patrimonial.


Seis suspeitos presos na oitava fase da operação


As movimentações financeiras integram uma investigação mais ampla sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, comercialização irregular de combustíveis e formação de cartel. Um relatório do Coaf identificou aproximadamente R$ 7,6 bilhões em movimentações envolvendo 835 pessoas físicas e jurídicas interligadas entre maio de 2020 e março de 2026.


Além de Canella, foram alvos das ordens de prisão o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim e quatro policiais civis: Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo; José Carlos Alves de Souza Júnior; e os irmãos Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes.


Com informações do jornal “O Globo”. 


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