• Rio de Janeiro, 27/03/2026
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Câmara do Rio aprova pacote de projetos de proteção às mulheres

mancheterio.com.br
Câmara do Rio aprova pacote de projetos de proteção às mulheres

Na penúltima sessão do mês de março, dedicado à pauta feminina, a Câmara do Rio aprovou nesta quinta-feira (26) um conjunto de projetos voltados à proteção das mulheres e ao enfrentamento da violência de gênero. As propostas, que agora seguem para sanção do prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), estabelecem desde a assistência multidisciplinar a vítimas de estupro até medidas para garantir o sigilo de dados de servidoras públicas que possuam medidas protetivas.


Entre os principais textos aprovados está o projeto que cria o Programa de Assistência Integral às Mulheres Vítimas de Estupro. A proposta prevê atendimento multidisciplinar para mulheres que engravidaram em decorrência de violência sexual, com suporte psicológico e médico, incluindo acompanhamento ginecológico e terapêutico. O texto também estabelece a preservação do anonimato das vítimas ao longo de todo o processo.


De autoria do vereador Rogério Amorim (PL), o projeto foi aprovado por unanimidade. Segundo o edil, a medida busca ampliar a atuação do poder público para além da responsabilização criminal. “Quando resulta em gravidez, a situação se torna ainda mais complexa, exigindo uma resposta do Estado que vá além da punição do agressor e alcance o amparo à vítima”, afirmou.


Sigilo de dados para servidoras


​Também foi aprovado em definitivo o projeto que veda a divulgação da lotação ou setor de trabalho de servidoras públicas do Rio com medida protetiva nos portais da transparência. O objetivo é evitar que agressores utilizem a estrutura de dados públicos da prefeitura ou da Câmara Municipal para localizar as vítimas em seus postos de trabalho.


Segundo o texto, para ter o direito assegurado, a servidora deverá apresentar o requerimento com a certidão de concessão da medida proteriva ao órgão responsável pela gestão do portal. A partir daí, o anonimato deverá começar a valer em até dois dias úteis.


O requerimento, porém, não é definitivo, possuindo um prazo de validade de seis meses. Expirado o tempo, é necessário dar entrada em um novo pedido.


“Acreditamos que com esta proposta traremos mais um mecanismo de proteção às mulheres que infelizmente enfrentam essa triste realidade de violência e atentado à sua dignidade”, disse o autor, Flávio Pato (PSD), na justificativa da proposta. Também assina o texto o vereador Wagner Tavares (PSB).


Prioridade na matrícula na rede municipal para filhos de vítimas de violência


​Na frente educacional, foi aprovada a prioridade de matrícula ou transferência em creches e escolas da rede municipal para dependentes de mulheres vítimas de violência doméstica. Segundo o texto, apresentado por Salvino Oliveira (PSD), presidente da Comissão de Educação da Casa, o objetivo da medida é dar maior segurança para que a logística escolar dos filhos não seja um impedimento para as vítimas se afastarem de seus agressores.


“O projeto visa garantir às vítimas de violência doméstica e seus filhos acesso à educação, proporcionando maior segurança e estabilidade durante um momento de fragilidade”, diz Salvino.


O texto é assinado por parlamentares esquera a direita. Compõem a autoria: Helena Vieira (PSD), Gigi Castilho (PL), Monica Benicio (PSOL), Flavio Pato (PSD) e Maíra do MST (PT).


Agricultura urbana


Também seguiu para sanção do prefeito a proposta de criar na cidade o Programa Municipal de Sistemas Produtivos Agroecológicos para Mulheres Cariocas da Agricultura Urbana e Periurbana. O projeto, assinado pela Maíra do MST (PT), que preside a Comissão de Segurança Alimentar, é voltado a agricultoras familiares, assentadas da reforma agrária, pescadoras artesanais, mulheres de comunidades tradicionais, entre outros grupos.


A proposta prevê a implementação de ações de capacitação e assistência técnica e apoio da prefeitura à produção. “Na prática, significa mais apoio para produzir alimentos saudáveis, gerar renda e cuidar dos territórios com respeito ao meio ambiente. Quem sustenta a cidade com comida de verdade precisa ser enxergada pelo poder público”, disse a vereadora.


As propostas aprovadas agora dependem de sanção do prefeito para passarem a valer. Caso sejam barradas, retornam ao plenário para análise do veto.




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