Projeto prevê retirada de medicamentos em farmácias privadas em caso de falta na rede municipal
Pacientes da rede municipal de saúde poderão retirar medicamentos em farmácias privadas credenciadas quando os remédios estiverem em falta nas unidades públicas. A medida está prevista em um projeto de lei apresentado pelo vereador Poubel (PL) na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que propõe a criação do Programa de Farmácias Credenciadas do Município.
A proposta prevê que medicamentos incluídos na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (Remume) possam ser retirados em farmácias privadas credenciadas sempre que o produto estiver indisponível em unidades da rede municipal.
Pelo texto, o paciente que não encontrar o medicamento na unidade pública receberá encaminhamento para uma farmácia participante do programa. O estabelecimento fornecerá o remédio e posteriormente será ressarcido pela Prefeitura, mediante fiscalização e controle da Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo o vereador, a iniciativa foi motivada por fiscalizações realizadas em unidades da rede municipal. Em uma visita ao Centro Municipal de Saúde Carlos Alberto Nascimento, em Campo Grande, na Zona Oeste, o parlamentar relatou ter encontrado pacientes sem acesso a medicamentos de uso contínuo, incluindo pessoas com deficiência.
“Não adianta o paciente conseguir consulta, sair com receita e depois ouvir que não tem remédio. Isso empurra a conta para quem mais precisa. Tem família que não consegue pagar R$ 80, R$ 100 numa medicação que deveria estar disponível na rede pública”, afirmou Poubel.
Segundo o vereador, a falta de medicamentos compromete tratamentos e acaba gerando custos adicionais para famílias que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).
O projeto também estabelece critérios para o credenciamento das farmácias interessadas em participar do programa. Os estabelecimentos deverão estar regularizados junto ao Conselho Regional de Farmácia, manter sistema compatível com a Secretaria Municipal de Saúde e seguir uma tabela de preços definida pelo município.
A proposta determina ainda que as farmácias apresentem relatórios periódicos sobre a dispensação dos medicamentos. O ressarcimento pelos produtos fornecidos deverá ocorrer em até 30 dias após a apresentação da documentação exigida, respeitando os limites orçamentários previstos pelo município.
Caso seja aprovado, o programa poderá ampliar o acesso da população a medicamentos essenciais, especialmente para pacientes com doenças crônicas que dependem do uso contínuo de remédios distribuídos pela rede pública de saúde.
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