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Drama com Marjorie Estiano e Alexandre Nero levanta questão: o que você faria se seu filho cometesse um crime brutal?

boletimrj.com.br
Drama com Marjorie Estiano e Alexandre Nero levanta questão: o que você faria se seu filho cometesse um crime brutal?






O que você faria se seu filho matassem uma pessoa com requintes de crueldade? Você denunciaria? Você o incentivaria a confessar? Ou tentaria abafar o caso? Estes são alguns dos questionamentos levantados por “Precisamos falar”, thriller nacional dirigido por Pedro Waddington e Rebeca Diniz.





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Após passagem pelo Festival do Rio e pela Mostra de São Paulo no ano passado, o longa está em cartaz nos cinemas. A trama acompanha dois casais de classe média alta que se reúnem para um jantar após descobrirem que os filhos estão envolvidos na morte de uma moradora de rua. Adaptado do best-seller internacional “O jantar”, do holandês Herman Koch, o roteiro foi escrito por Sergio Goldenberg.




— Quando li o roteiro, me chamou muito a atenção o dilema dessas famílias do que fazer diante do crime de seus filhos. Fiquei pensando muito naquilo e percebi que teria muita dificuldade em fazer o certo. Isso me intrigou muito e me deixou com muitos questionamentos. Porque eu sabia o que era a coisa certa a se fazer, mas ao mesmo tempo resistia àquilo, hipoteticamente — detalha Rebeca Diniz.




Pedro Waddington (filho de Andrucha Waddington, produtor do longa, e enteado de Fernanda Torres — não confundir com o Pedro Waddington ator de “Vale tudo”, filho de Ricardo Waddington e Helena Ranaldi —) conta que se interessou pelo projeto pela forma como a história atinge o espectador, fazendo com que reflita sobre seus valores e princípios de amor preestabelecidos.




— Achei interessante pensar como um acontecimento pode mudar os parâmetros e os valores das pessoas — diz ele, que, assim como Rebeca Diniz, fez sua estreia na direção de longas com o drama. — Já tínhamos trabalhado juntos em “Sob pressão”, mas pela primeira vez concebemos algo do zero. Foi ótimo, nos entendemos muito bem e conseguimos equalizar as opiniões, mesmo quando divergentes, para desenvolver melhor a história.




No longa, Alexandre Nero interpreta Paulo, marido de Sandra (Marjorie Estiano), um homem de opiniões fortes e polêmicas, que passou por um “cancelamento” na carreira acadêmica, que acredita que “bandido bom é bandido morto” e parece disposto a proteger o filho mesmo diante do crime brutal.




— Inicialmente, tinham me chamado para fazer outro personagem, mas me encantei pelo Paulo, um personagem muito diferente do que já fiz. Tenho uma ideia de construção de personagem em que eu acho que todos os personagens sou eu. Tento achar no que eles fazem parte de mim, seja a luz ou o buraco dele. Gosto de me investigar e, quando preciso, mergulho na lama para encontrar alguns personagens — defende Nero, de 56 anos.




Já Hermila Guedes dá vida a Anna, casada com o candidato a governador Celso (Emílio de Mello), que defende a necessidade de fazer a coisa certa e que os jovens devem arcar com as consequências de seus atos.




— Foi uma personagem desafiadora que me ofereceu a possibilidade de experimentar algo diferente como atriz. Geralmente, minhas personagens são de classe média baixa, envolvidas numa atmosfera muito nordestina — diz a atriz de 45 anos conhecida pelos trabalhos em “O céu de Suely” (2006) e “O agente secreto” (2025). — Também me interessou fazer a Anna porque acho que hoje em dia é cada vez mais difícil defender valores. Sinto que ela é a única que busca a justiça com convicção, mesmo diante de uma situação complexa.






Guilherme Cabral, Hermila Guedes e Emílio de Mello em cena de “Precisamos falar” — Foto: Rachel Tanugi/Divulgação





Além do quarteto principal, o longa conta com Thiago Voltolini, Cauê Campos, Guilherme Cabral e Julia Svacinna no elenco da produção.




Questão ‘complicada’




Mãe de três filhas, a atriz cita o longa como “necessário” por lembrar da urgência de estar sempre atenta e conversando sobre valores. Nero, pai de dois meninos, concorda.




— A gente vê esses atendados em escolas, esses crimes brutais, e quase sempre são homens querendo mostrar quem é o mais macho. A nossa educação ainda é muito machista. Eu tenho dois meninos e morro de medo disso. Tendo educá-los de uma forma muito distante deste lugar, mas eu vejo que na escola e mesmo entre eles, existe essa coisa da disputa, de querer ganhar de qualquer jeito, é complicado — revela o ator.




Antes de “Precisamos falar”, a obra original de Koch rendeu várias outras adaptações para os cinemas, com versões na Alemanha e na Itália, lançadas antes das versões mais conhecidas: a produção americana “O jantar” (2017), com Richard Gere, Laura Linney e Rebecca Hall, e a sulcoreana “Uma família normal” (2023), de Hur Jin-ho.




— Vimos as outras adaptações, fomos juntos no cinema ver a coreana, acho que é um bom filme. Mas acho que temos uma adaptação muito particupar no Brasil. O texto do Sérgio conseguiu pontuar certas características da nossa sociedade e transpor a história para uma realidade muito brasileira — aponta Diniz, que acredita que a trama consegue, na dinâmica entre os casais, refletir sobre as tensões sociais e políticas do país.







Com informações da fonte

https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2026/09/29/drama-com-marjorie-estiano-e-alexandre-nero-levanta-questao-o-que-voce-faria-se-seu-filho-cometesse-um-crime-brutal.ghtml


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