Dinheiro não faltou. Voto, sim: candidatos que receberam milhões para a campanha não conseguiram vaga na Câmara, Alerj e Senado

Dinheiro em caixa não foi garantia de mandato nas eleições de 2026 no Rio. O cruzamento dos resultados das urnas com os dados declarados pelas campanhas ao DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra uma série de candidatos que recebeu mais de R$ 1 milhão durante a disputa, mas terminou a corrida eleitoral sem uma vaga na Câmara, Alerj e Senado.
Na eleição para a Câmara dos Deputados estão alguns dos casos de maior volume financeiro:
- Daniela Carneiro, do Republicanos, aparece com R$ 3,25 milhões em receitas de campanha;
- Lenir Morais, do PP, recebeu R$ 3,1 milhões;
- Julio Lopes, também do PP, R$ 3,097 milhões;
- Isabel Gomes, do mesmo partido, R$ 3,086 milhões.
Nenhum deles ficou entre os 46 deputados federais eleitos pelo Rio.
Também ficaram fora Martha Rocha (PDT), cuja campanha registrou R$ 3,037 milhões; Laís Jordy (PL), com R$ 3 milhões; Max Lemos (União), com R$ 2,9 milhões; Bernardo Rossi (União), também com cerca de R$ 2,9 milhões; Rosângela Gomes (Republicanos), com R$ 2,84 milhões; e Otoni de Paula (PSD), que recebeu R$ 2,5 milhões.
No Senado e Alerj o caixa também foi grande, mas a cadeira não veio
A mesma situação se repetiu na disputa pelo Senado. Pedro Paulo, do PSD, teve R$ 3 milhões em receitas registradas; Marcos Dias, do Podemos, R$ 2,22 milhões; Marcelo Crivella, do Republicanos, R$ 1,57 milhão; e Waguinho, também do Republicanos, R$ 1,34 milhão. Todos ficaram fora das duas vagas em disputa.
Na eleição para deputado estadual, o levantamento também identifica campanhas que ultrapassaram a marca de R$ 1 milhão e não conquistaram vaga na Assembleia Legislativa. Entre elas estão Márcio Correia de Oliveira (União), com R$ 1,17 milhão; Alessandra Gomes de Oliveira (PSDB), com R$ 1,125 milhão; Josemar Pinheiro de Carvalho (PSOL), com R$ 1,113 milhão; e Maria da Penha Bernardes (União), com R$ 1,064 milhão.
Os valores correspondem às receitas informadas pelas próprias campanhas à Justiça Eleitoral e disponíveis no DivulgaCand. Eles incluem recursos públicos dos fundos eleitoral e partidário, doações privadas, recursos próprios e outras fontes previstas na legislação eleitoral.
O levantamento mostra que, embora o financiamento seja um componente importante de uma campanha, volumes elevados de recursos não necessariamente se transformaram em votos suficientes para garantir uma cadeira.
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