Campanhas eleitorais no Rio gastaram milhões em ‘palanque virtual’, mas impulsionamento de postagens não foi suficiente para eleger candidatos

O investimento pesado nas redes sociais, que se transformaram em palanques — virtuais —, não foi suficiente para garantir uma cadeira nas eleições deste domingo (04) para alguns candidatos do Rio. Dados declarados à Justiça Eleitoral mostram que candidatos derrotados para a Câmara dos Deputados, Alerj e Senado destinaram valores expressivos exclusivamente à rubrica de impulsionamento de conteúdos.
O caso que mais chama atenção é o de Flávio Ganem (União), candidato a deputado federal que declarou R$ 963 mil em despesas com impulsionamento, o equivalente a aproximadamente 47% de todos os gastos da campanha. Só no Facebook foram R$ 933 mil, mas, mesmo com quase R$ 1 milhão destinado às redes sociais, Ganem não conseguiu uma vaga na Câmara dos Deputados.
Outro investimento elevado foi o de Marcos Braz (PSDB). Candidato a deputado federal, o ex-vereador destinou R$ 573 mil ao impulsionamento de conteúdos, dos quais R$ 572,5 mil foram pagos à DLocal, empresa utilizada para pagamentos de publicidade digital.
O ex-vereador também não conseguiu uma das 46 cadeiras do Rio na Câmara
Campanhas para o Senado também investiram alto
A derrota nas urnas também atingiu campanhas de alto investimento digital na disputa pelo Senado, como é o caso de Benedita da Silva (PT), que terminou a eleição em terceiro lugar, com 3.220.682 votos (20,22%), atrás dos eleitos Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL). A campanha da petista declarou R$ 408 mil em impulsionamento de conteúdos nos dados mais recentes disponíveis.
Outro que também foi derrotado na corrida pelas duas vagas ao Senado foi Pedro Paulo (PSD, que investiu R$ 350 mil em impulsionamento. O deputado federal terminou em quarto lugar, com 1.904.296 votos (11,96%). Segundo os dados de prestação de contas compilados a partir do TSE, o valor de R$ 350 mil havia sido integralmente pago pela campanha até o último registro disponível.
Já a campanha de Mônica Benício (PSOL), quinta colocada para o Senado, com 1.538.413 votos (9,66%), investiu R$ 50 mil em impulsionamento de conteúdos, pagos ao Facebook.
Os números consideram especificamente a categoria “Despesa com impulsionamento de conteúdos” declarada pelas campanhas à Justiça Eleitoral. A rubrica não inclui outros gastos digitais, como contratação de agências, produção de vídeos, equipes de comunicação, pesquisas ou serviços de consultoria.
Os valores ainda podem sofrer atualizações, retificações ou inclusão de despesas na prestação final das campanhas.
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