A Embratur lançou nesta sexta-feira (27), durante a BTL Lisboa — uma das principais feiras de turismo da Europa — um novo episódio da série “Turismo Transforma”, dedicado ao Turismo de Base Comunitária (TBC) nas favelas do Rio de Janeiro.
O lançamento marcou também a estreia de agências de turismo de favelas como coexpositoras no estande brasileiro. Pela primeira vez, empreendedores das comunidades participaram oficialmente do evento e negociaram diretamente com operadores internacionais.
Ao apresentar a iniciativa, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, afirmou que o turismo em favelas não pode ser tratado como um “safari social” nem como uma visita para observar a pobreza. Segundo ele, a proposta é que o visitante conheça, escute e compreenda os territórios a partir da condução de quem vive neles, gerando impacto real na economia local e contribuindo para transformar a forma como o Brasil é visto no exterior.
A ação integra a estratégia de internacionalização do Turismo de Base Comunitária e faz parte do reposicionamento da imagem do país no exterior, com foco em experiências sustentáveis, inclusivas e conduzidas pelos próprios moradores. Freixo destacou ainda que é preciso disputar a narrativa sobre as favelas, enxergando nelas vida, potência e protagonismo, e não apenas medo ou estigma. Para ele, a presença de lideranças comunitárias em um dos principais eventos do turismo internacional simboliza uma mudança na forma como o Rio de Janeiro se apresenta ao mundo.
Entre os participantes da feira está Gilson “Fumaça”, morador do Santa Marta e articulador da Rota Favela Brasil. Com mais de 15 anos de atuação no Turismo de Base Comunitária e mais de uma década articulando empreendedores de favelas do Rio em busca de visibilidade, ele afirmou que a participação oficial no evento internacional representa um marco difícil de mensurar. Segundo Gilson, a iniciativa ajuda a romper o paradigma de que a visita às favelas é necessariamente perigosa ou dependente de intermediários externos, dando voz e visibilidade a quem desenvolve o turismo com profissionalismo e compromisso com a transformação social.
Também integra a comitiva Patrícia Regina da Silva Ignacio, da Cooperativa de Reflorestamento da Babilônia e Chapéu Mangueira (CoopBabilônia), organização pioneira em reflorestamento comunitário e turismo de base local. Ela afirmou que jamais imaginou representar sua comunidade em um evento desse porte e destacou que o interesse do público internacional cresce quando a narrativa parte dos próprios moradores, que podem apresentar a realidade de quem vive e empreende no território.
Intitulada “Turismo Transforma – Favelas do Rio”, a produção é composta por três episódios de 15 minutos e percorre seis comunidades: Vidigal, Rocinha, Santa Marta, Providência, Mangueira e Chapéu Mangueira. A série foi produzida por uma equipe formada exclusivamente por moradores das próprias comunidades retratadas, reforçando o conceito de protagonismo local.
O lançamento está alinhado à nova campanha internacional da Embratur, “Para se renovar, não há lugar como o Brasil”, voltada a viajantes interessados em experiências com propósito, regeneração e conexão cultural.



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