Deputado Estadual Luiz Paulo
Enquanto muitos falam, alguém precisa garantir que o Estado funcione
Em tempos de crise, multiplicam-se as vozes. Há discursos inflamados, promessas fáceis e soluções rápidas para problemas complexos. Fala-se muito. Mas governar não é falar. Governar é garantir que o Estado funcione.
O Rio de Janeiro conhece bem os efeitos da desorganização. Crises fiscais recorrentes, instabilidade institucional, insegurança pública, corrupção e perda de capacidade de investimento não surgiram por acaso. São resultado de decisões equivocadas, ausência de planejamento e, muitas vezes, da substituição da responsabilidade pela retórica.
O funcionamento do Estado não é uma abstração. Ele se expressa na regularidade dos serviços públicos, no pagamento em dia de servidores ativos e aposentados, na gestão responsável dos recursos e na capacidade de planejar o futuro. Quando isso falha, quem sofre é a população.
Nos últimos anos, assistimos a sucessivas crises que colocaram à prova a estrutura do Estado fluminense. Mudam os governos, mudam os discursos, mas os problemas persistem quando não há continuidade administrativa, controle efetivo das contas públicas e compromisso com o interesse coletivo.
É preciso compreender que o papel do Parlamento não é apenas legislar. É também fiscalizar, controlar e garantir que o Executivo atue dentro dos limites da legalidade e da responsabilidade fiscal. Essa função, muitas vezes silenciosa, é essencial para evitar que erros se repitam e que o Estado volte a trilhar caminhos de desequilíbrio.
Ao longo de minha trajetória, tenho procurado exercer esse papel com firmeza e responsabilidade. Denunciar irregularidades (exemplo do caso Master com Rioprevidência e CEDAE), acompanhar a execução orçamentária (deficit de R$19 bilhões), lutar pelo PROPAG, questionar decisões que coloquem em risco o patrimônio público, defender a transparência, defender o concurso público. Todas não são ações de confronto politico. São deveres institucionais.
O Rio de Janeiro não precisa de mais improviso. Precisa de previsibilidade. Precisa de estabilidade. Precisa de gestão, logo precisa de mudança.
É nesse contexto que se insere o debate sobre a dívida pública, os regimes de recuperação fiscal e as alternativas como o Propag. Não se trata apenas de números, mas da capacidade do Estado de honrar compromissos, investir em políticas públicas e recuperar sua autonomia financeira.
Da mesma forma, a proteção dos recursos previdenciários e o respeito aos direitos dos servidores são pilares de qualquer administração responsável. Não há Estado forte sem servidores valorizados, nem há justiça social sem equilíbrio fiscal.
Em meio a tantas incertezas, é fundamental separar o que é essencial do que é acessório. Discursos passam. Estruturas permanecem. E é sobre essas estruturas que deve recair a atenção de quem tem responsabilidade pública.
Enquanto muitos falam, alguém precisa garantir que o Estado funcione.
Essa não é uma tarefa de ocasião. É um compromisso permanente com a estabilidade institucional, com a responsabilidade fiscal e com o respeito à sociedade.
O futuro do Rio de Janeiro não será construído com improvisos, nem com soluções fáceis. Será resultado de trabalho sério, planejamento consistente e decisões responsáveis.
Garantir que o Estado funcione é, antes de tudo, garantir que a sociedade não pague o preço dos erros do poder público.
E é exatamente isso que se espera de quem exerce um mandato: menos discurso e mais responsabilidade.
Por Luiz Paulo – Deputado Estadual (PSD)



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