• Rio de Janeiro, 12/06/2026
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Aurílio Nascimento

Desculpe Henry

Aurílio
Desculpe Henry

Henry vi suas fotos e fiquei emocionado. Você era apenas um menininho de quatros anos, com um sorriso que encantava pela inocência. Aquele seu sorriso, divertido, com as mãos sujas de tinta, divertindo-se com sua traquinice, encantou muitas pessoas. 


Hoje Henry a pergunta que faço a mim mesmo, e que milhões de pessoas também fazem é por qual motivo você teve um destino tão trágico com apenas quatro anos? Por um longo tempo você, sem nenhuma condição de revidar, foi espancado, torturado por seu padrasto, um médico, alguém que fez um juramento profissional de salvar vidas, e o pior, sob o olhar complacente de sua mãe. 


Por que Henry, por quê? Você Henry iria aprender ao longo da vida que existem pessoas cruéis, perversas, porém seu sofrimento não veio de pessoas estranhas, chegou com a complacência de sua própria mãe.


Hoje você está no céu Henry, a fratura dos seus ossos, os hematomas, os machucados que nunca foram trados, não mais doem. Eu tenho certeza Henry que se você pudesse mandaria uma mensagem para sua mãe: Mãe eu te perdoo, eu estou bem aqui no céu. 


Desculpe Henry, a justiça que deveria ser feita para você, foi jogada de lado em nome uma ideologia. Não ficaria surpreso depois de tudo isto, se ao final você seja o culpado. Afinal foi dito com todas as letras que sua mãe, aquela que deveria te proteger, foi massacrada pelo patriarcado, foi vítima de um sistema que privilegia os homens. 


Henry o mundo ficou mais cinza sem você, e a cada dia que passa vai escurecendo mais. Outros meninos como você já sofreram as mesmas agruras, o mesmo sofrimento, sem poder se defenderem.



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