Polícia revela rotina de medo em ‘condomínio do terror’ em Nova Iguaçu | Nova Iguaçu
Materiais apreendidos durante a operação contra milícia do Juninho VarãoReginaldo Pimenta/Agência O DIA
De acordo com informações da Polícia Civil, a apuração começou nos primeiros meses de 2026, quando a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) recebeu os primeiros relatos de mordores sobre cobranças ilegais e intimidação.
A análise desses aparelhos permitiu aos investigadores identificar a estrutura utilizada pelo grupo para controlar o condomínio. De acordo com a delegada Luciana Fonseca, os antigos síndicos dos dez blocos teriam sido substituídos por representantes indicados pela milícia, responsáveis por recolher dinheiro dos moradores.
Taxas ilegais e ameaças de morte
Segundo a Polícia Civil, cada apartamento era obrigado a pagar entre R$ 70 e R$ 80. Em caso de atraso, a cobrança poderia dobrar. A arrecadação mensal estimada variava de R$ 80 mil a R$ 100 mil. Quem se recusava a entregar o dinheiro, conforme os relatos, sofria agressão, expulsão do imóvel e até assassinato.
Policial militar é investigado por participação no esquema
Entre os nove indiciados por constituição de milícia privada está um sargento da Polícia Militar lotado no 7º BPM (Alcântara). Segundo a investigação, ele teria participado de reuniões e interferido na administração do condomínio, contribuindo para intimidar os moradores.
O policial também é investigado por supostamente auxiliar na organização de grupos de WhatsApp utilizados para controlar síndicos e porteiros. Na última quarta-feira (14), agentes da Draco e da Corregedoria da PM cumpriram um mandado de busca e apreensão contra ele. O sargento foi conduzido à delegacia, permaneceu em silêncio e acabou liberado.
Operação busca responsáveis pelas cobranças
A investigação resultou em uma operação para cumprir dois mandados de prisão e dez de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa. Durante as diligências, os policiais recolheram computadores, celulares, cadernos com anotações, chaves de imóveis, um distintivo falso e um bastão de madeira.
Entre os procurados está Filipe Alves da Silva, conhecido como Filipinho, apontado como responsável por receber os valores arrecadados e homem de confiança de Juninho Varão. Outro investigado, Marcos Francisco dos Prazeres Junior, seria encarregado de ameaçar moradores que resistissem às cobranças.
Apontado como líder do grupo, Juninho Varão também é procurado pela Justiça e acumula seis mandados de prisão, segundo os registros citados na investigação.
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