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Polícia revela rotina de medo em ‘condomínio do terror’ em Nova Iguaçu | Nova Iguaçu

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Polícia revela rotina de medo em ‘condomínio do terror’ em Nova Iguaçu | Nova Iguaçu











Materiais apreendidos durante a operação contra milícia do Juninho VarãoReginaldo Pimenta/Agência O DIA





As denúncias de moradores, que superaram o medo por não aguentarem mais viver 24 horas sob ameaças, levaram a Polícia Civil a descobrir um esquema de extorsão dentro de um condomínio do programa Minha Casa Minha Vida, no bairro Jardim Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo as investigações, integrantes da milícia comandada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, conhecido como Juninho Varão, teriam assumido o controle total do conjunto habitacional, que possui mais de mil apartamentos.

De acordo com informações da Polícia Civil, a apuração começou nos primeiros meses de 2026, quando a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) recebeu os primeiros relatos de mordores sobre cobranças ilegais e intimidação.



Para evitar colocar os denunciantes em risco, a investigação avançou com cautela e cuidado, com os agentes investigando o local de forma a não serem identificados e constatarem as irregularidades. As primeiras diligências vieram algum tempo depois e já resultaram na prisão de três pessoas e na apreensão de armas de fogo e celulares.

A análise desses aparelhos permitiu aos investigadores identificar a estrutura utilizada pelo grupo para controlar o condomínio. De acordo com a delegada Luciana Fonseca, os antigos síndicos dos dez blocos teriam sido substituídos por representantes indicados pela milícia, responsáveis por recolher dinheiro dos moradores.



Ainda de acordo com a polícia, os homens colocados pela milícia no condominio promoviam terror psicológico contra os moradores afirmando a todo momento que a ‘taxa’ estaria próxima do vencimento e se algum morador comprasse algum eletrodoméstico ou aparelho que fosse visto entrando no condominio, era alertado que que ‘não teria desculpa’ para atrasar o pagamento. A policia recebeu também relatos de que os mesmos usavam de suas posições para assediar sexualmente moradoras do local.

Taxas ilegais e ameaças de morte


Segundo a Polícia Civil, cada apartamento era obrigado a pagar entre R$ 70 e R$ 80. Em caso de atraso, a cobrança poderia dobrar. A arrecadação mensal estimada variava de R$ 80 mil a R$ 100 mil. Quem se recusava a entregar o dinheiro, conforme os relatos, sofria agressão, expulsão do imóvel e até assassinato.



A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) apura se a morte de Vitor Hugo Pereira Tomaz tem relação com essas práticas. Ele foi retirado de casa por homens armados e encontrado morto no Rio Guandu, em 29 de setembro de 2025. A possível ligação entre o homicídio e as extorsões ainda não foi confirmada.

Policial militar é investigado por participação no esquema


Entre os nove indiciados por constituição de milícia privada está um sargento da Polícia Militar lotado no 7º BPM (Alcântara). Segundo a investigação, ele teria participado de reuniões e interferido na administração do condomínio, contribuindo para intimidar os moradores.


O policial também é investigado por supostamente auxiliar na organização de grupos de WhatsApp utilizados para controlar síndicos e porteiros. Na última quarta-feira (14), agentes da Draco e da Corregedoria da PM cumpriram um mandado de busca e apreensão contra ele. O sargento foi conduzido à delegacia, permaneceu em silêncio e acabou liberado.


Operação busca responsáveis pelas cobranças


A investigação resultou em uma operação para cumprir dois mandados de prisão e dez de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa. Durante as diligências, os policiais recolheram computadores, celulares, cadernos com anotações, chaves de imóveis, um distintivo falso e um bastão de madeira.


Entre os procurados está Filipe Alves da Silva, conhecido como Filipinho, apontado como responsável por receber os valores arrecadados e homem de confiança de Juninho Varão. Outro investigado, Marcos Francisco dos Prazeres Junior, seria encarregado de ameaçar moradores que resistissem às cobranças.


Apontado como líder do grupo, Juninho Varão também é procurado pela Justiça e acumula seis mandados de prisão, segundo os registros citados na investigação.






Com informações da fonte

https://odia.ig.com.br/nova-iguacu/2026/10/7312962-policia-revela-rotina-de-medo-em-condominio-do-terror-em-nova-iguacu.html


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