Aurílio Nascimento
O navio dos loucos
O navio dos loucos ou navio dos insensatos, é um poema satírico escrito em 1494, pelo francês Sebastian Brant, poeta, filósofo e jurista. No poema, Brant compara a sociedade a um navio, ocupado por idiotas, todos querendo o poder, todos com vícios, todos imorais e corruptos, sem exceção, da nobreza a igreja, e a plebe.
O navio segue à deriva, com seus passageiros focados na ganância, no poder. Todos querem comandar o navio, sem reconhecerem sua incapacidade de localizar uma estrela no céu para se orientar. A falta de sabedoria é total. Ninguém se importa com o futuro e nem para onde estão indo.
O poema é antes de tudo uma severa crítica sobre os graves problemas políticos que surgem em democracias, onde o poder é ocupado por ignorantes, analfabetos, corruptos, mentirosos, enganadores, sem conhecimento de nada.
Quinhentos anos depois de escrito, O navio dos ou loucos ou A nau dos insensatos é atual, basta olhar para a nossa política. O país é dirigido por um sujeito que se gaba, tem orgulho em afirmar que não estudou e nunca leu um livro na vida. “Fui formado na universidade da vida” afirmou certa vez, desdenhado dos homens e mulheres, que por toda vida estudaram muito, pesquisaram, para resolver os graves problemas enfrentados pela humanidade.
Nos próximos meses, quando a campanha eleitoral tiver início, assistiremos ao vivo e a cores, a corrida a Nau do Insensatos. Os candidatos com chance de serem eleitos, não serão os que apresentam um currículo sério, conhecimento. Vai aparecer os Titiricas, o Zezinho da pipoca, fulano da ambulância, jogadores de futebol, Dona Maria do posto de saúde, fulano coveiro.
Todos fazendo promessas para ganhar uma entrada no navio, e o pior de tudo, nem sabem nadar, porém querem participar do comando da nau.
O trágico desta comédia humana é que todos os idiotas sem nenhuma capacidade, que anseiam participar do comando do navio, e conseguem, não conseguiram à força. Foram carregadas até por idiotas iguais a eles.
Este é o problema das democracias demagógicas e populista.



COMENTÁRIOS