• Rio de Janeiro, 18/10/2026
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Jackson Vasconcelos

Douglas Ruas e Fernanda Louback: uma oportunidade ou uma ameaça?

Coluna Jackson Vasconcelos
Douglas Ruas e Fernanda Louback: uma oportunidade ou uma ameaça?

Diante de Douglas Ruas e Fernanda Louback está uma oportunidade que, no decorrer do processo, poderá  se transformar em ameaça: o governo do Estado do Rio de Janeiro, conquistado no primeiro turno da eleição.


Para que essa oportunidade não se converta em ameaça, como ocorreu com Cláudio Castro, Douglas Ruas terá que ultrapassar as obrigações administrativas de um governador, para mostrar  à população fluminense e, por que não, ao mundo — afinal, a marca Rio é uma das principais referências do Brasil no exterior — que é possível governar o Estado do Rio de Janeiro sem recorrer à desonestidade, aos acordos espúrios e às negociações feitas na calada da noite, nas quais o poder deixa de ser instrumento de realização pública para se tornar um fim em si mesmo. 


Essa demonstração é particularmente necessária em um estado no qual a função de governador sofreu um profundo desgaste moral e institucional, desde a eleição de Sérgio Cabral, em 2006. 


Durante duas décadas, o estado tem conhecido episódios que comprometem a confiança da população em seus governantes e atingem a própria dignidade do exercício do poder.


Douglas Ruas terá, portanto, a oportunidade de demonstrar que essa história não precisa continuar se repetindo.


Fernanda Louback, por sua vez, terá uma responsabilidade igualmente importante. E, por conhecê-la, acredito que não encontrará dificuldades para cumpri-la.


Caberá a ela demonstrar que a vice-governadoria não é um espaço de conspiração nem uma posição destinada a alimentar disputas internas pelo poder 


Menos ainda deve servir como instrumento de manobras políticas destinadas a favorecer circunstancialmente o grupo que ocupa o governo, como fez Thiago Pampolha.


O cargo de vice precisa recuperar sua identidade institucional, fundada na lealdade ao compromisso assumido com os eleitores e no respeito às responsabilidades constitucionais.


A lealdade que importa não é a submissão pessoal ao governador. É a fidelidade ao projeto de governo apresentado à sociedade e legitimado pelas urnas. 


O plano de governo somado à primeira decisão do governador Douglas Ruas, faz da vice-governadora a formuladora e executora de uma política pública transversal: “igualdade, proteção e autonomia das mulheres em todas as políticas e em todos os eixos de governo”.


Douglas Ruas e Fernanda Louback terão, naturalmente, outros desafios pela frente: segurança pública, desenvolvimento econômico, educação, saúde e equilíbrio das contas públicas, etc. 


Contudo, nenhum deles será vencido se Douglas e Fernanda não restabelecerem a confiança na autoridade política e na dignidade das funções que o povo lhes conferiu.


Se Douglas Ruas conseguir demonstrar que é possível governar sem transformar o poder em patrimônio pessoal ou de grupos políticos, e Fernanda Louback mostrar que a vice-governadoria pode ser exercida com lealdade institucional, responsabilidade e independência, ambos terão dado um passo extraordinário, que transformará a vitória eleitoral em uma oportunidade histórica para o Rio de Janeiro. 


Caso contrário, o resultado da eleição será mais uma ameaça à confiança dos cariocas e fluminenses na política.



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