Jackson Vasconcelos
Todo cuidado é pouco.
Não gostei nada, nadinha, da dança de Flávio Bolsonaro no final do debate com Lula, nem da euforia dos aliados, pois quem tripudia sobre o adversário, enquanto o juiz não apita o final da partida, corre um risco desnecessário.
A derrota de Fernando Henrique Cardoso para Jânio Quadros na eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 1985, é um exemplo. Fernando Henrique posou para uma fotografia na cadeira de prefeito, na véspera da eleição, e se deu mal. Há outros exemplos em eleições pelo mundo.
No futebol, conheci grandes viradas porque o azarão foi além de todas as suas energias e expectativas para vencer o favorito. Nesse jogo, até o goleiro vai para o ataque, porque “o jogo só termina quando acaba”, quando o juiz apita o final da partida.
O PT e seus aliados tomaram uma surra no primeiro turno, e Lula chegou ao segundo turno em desvantagem. Os institutos de pesquisa erraram. Desde a proclamação dos resultados, Flávio Bolsonaro e seus aliados tripudiam sobre os adversários.
Um risco, pois a zombaria energiza quem está em desvantagem, mexe com a dignidade do azarão e faz com que ele reúna forças já esgotadas.
Quem votou em Flávio no primeiro turno manterá o voto; quem votou em Zema, Caiado e Cury também votará em Flávio. Quem votou em Renan Santos poderá votar ou não em Flávio, pois só se empolga com o próprio líder. Quem votou em Lula no primeiro turno votará novamente em Lula.
Portanto, a disputa é pelo voto de quem não compareceu às urnas — a maior abstenção da história, com 33,4 milhões de eleitores. E o único modo de convencê-los é pelo medo da vitória de quem eles acreditam ser o candidato mais perigoso para seus planos. Esse eleitor já sabe que Flávio pode vencer e só irá às urnas se a vitória de Flávio significar um problema. O mesmo recado vale para quem rejeita Lula.
A estratégia do PT está moldada nesse quesito: impor o medo a quem não foi votar. Medo de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Portanto, Lula precisa que, desta vez, o medo vença a esperança. Uma ironia do destino.
Flávio não pode cometer o erro que o pai cometeu ao subestimar Lula. Flávio Bolsonaro e todos os seus eleitores e aliados precisam convencer os ausentes de que, de fato, Lula perderá a eleição, mas que isso ainda não está resolvido plenamente. Quem se absteve e rejeita Lula precisa comparecer.



COMENTÁRIOS