Thiago Barcellos
O silêncio dos Covardes
Em um mesmo fim de semana, o Rio de Janeiro foi palco de dois assassinatos brutais ligados à violência entre torcidas organizadas.
Na quinta-feira, um torcedor foi morto com um tiro na cabeça em Oswaldo Cruz, antes do clássico entre Botafogo e Vasco, pela Copa do Brasil. Três dias depois, no sábado, outro episódio de terror: torcedores do Botafogo marcaram confronto próximo ao Estádio Nilton Santos e, novamente, a cidade testemunhou a morte de mais um jovem, desta vez espancado até a morte.
A pergunta é inevitável: onde estavam o prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro?
Diante da barbárie, não houve uma palavra, um gesto, uma sinalização mínima de indignação. O silêncio das maiores autoridades do estado e da cidade ecoa como um aval tácito à violência, como se a lógica da selvageria pudesse continuar a ditar o destino do nosso futebol.
Em qualquer lugar do mundo, tragédias como essas provocariam pronunciamentos imediatos, ações emergenciais e respostas à altura da gravidade. Aqui, no entanto, reina a omissão.
É como se o poder público tivesse normalizado o absurdo: mortes anunciadas em clássicos de futebol, semana após semana, sem reação.
Esse silêncio é perigoso. Ele não apenas desrespeita a sociedade, mas também alimenta a sensação de impunidade. Quando as autoridades calam, a mensagem transmitida é de tolerância à barbárie.
O Rio de Janeiro não pode aceitar que sua paixão maior, o futebol, continue sequestrada por gangues travestidas de torcidas organizadas. É preciso coragem, ação e responsabilidade. Mas, acima de tudo, é preciso que prefeito e governador saiam do conforto do silêncio e assumam as suas responsabilidades.



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