Thiago Barcellos
Bonificação a policiais: por que o ‘faroeste’ é um caminho perigoso para o Rio
O Rio de Janeiro voltou a discussão sobre a tal gratificação para policiais, chamada de ‘faroeste’. Mas precisamos ser claros: hoje não se trata apenas de pagar por mortes em confronto, como foi no passado. O texto aprovado abre caminho para bonificações por apreensões de armas e drogas, pelo sucesso das operações.Agora, vamos comparar com o mundo. Em cidades como Nova York, que conseguiu reduzir drasticamente a violência nos anos 90, não existe esse tipo de bônus individual em dinheiro. Lá o que funciona são metas institucionais, investimentos em inteligência e tecnologia, e reconhecimento de carreira, nunca pagamento direto por apreensão.Na Europa é a mesma coisa. Inglaterra, França, Alemanha: nenhum país sério vincula bônus financeiro à quantidade de drogas ou armas apreendidas. O que existe são prêmios coletivos e orçamentos extras para departamentos eficientes.Já em países com sistemas frágeis, como México, Índia e Filipinas, quando tentaram pagar prêmios por armas ou drogas apreendidas, o resultado foi o pior possível: fraude em registros, policiais plantando provas, perda de credibilidade das instituições e até denúncias de abusos graves.Ou seja: o mundo civilizado mostra que esse tipo de bonificação individual gera mais problema do que solução. Se a ideia é fortalecer a polícia, o caminho é outro: investir em estrutura, inteligência, tecnologia e valorização real de carreira, e não premiar com dinheiro a quantidade de armas ou drogas que aparecem em relatórios.



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