Thiago Barcellos
ALERJ, CPI que investiga cooperativas de seguro, expõe ainda mais a incompetência do Estado e o avanço do crime organizado!
O Estado que entrega o território
O crime organizado no Rio de Janeiro evoluiu. Não se limita mais a controlar favelas com fuzis. Agora, com o domínio territorial garantido onde o Estado não entra, as facções passaram a interferir diretamente na economia da cidade.
O exemplo mais claro está no mercado de seguros. Hoje, quando um carro é rastreado dentro de uma área dominada pelo tráfico, o próprio policial admite: não há como entrar para recuperar o veículo. O Estado perdeu a hegemonia desses territórios.
Diante disso, as seguradoras dão o bem como perda total, mesmo sabendo exatamente onde ele está. E foi nessa brecha que os criminosos criaram uma nova modalidade de negócio: o sequestro de carros. Não se rouba mais para desmontar. Agora, os veículos são “resgatados” mediante pagamento.
Para os traficantes, é lucro certo. Para as seguradoras, é um prejuízo menor do que arcar com um carro novo. Para o cidadão, é desespero: os custos sobem, o seguro fica mais caro e a insegurança se torna rotina.
Essa economia criminosa só existe porque o Estado foi incompetente para regular, covarde para agir e conivente ao fechar os olhos. Ao admitir que não consegue recuperar um carro dentro de áreas conflagradas, o governo assina sua rendição.
O resultado é claro: as facções não dominam apenas o território físico. Dominam também a economia do Rio de Janeiro. O cidadão vive refém não só da violência armada, mas da covardia institucional que transformou sequestro de carros em modelo de negócio.



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